Pular para o conteúdo principal

Lírio do Campo

Sempre trabalhei muito, muito mesmo.
Não que eu não gostasse, gostava e muito.
Só que virou escravidão.
Hoje cuido, cuido muito,
para fazer só o que me faz realizada.
Prefiro ganhar bem pouquinho,
mas ter liberdade.
Não ligo para a falta de dinheiro,
sou bem desapegada mesmo, mas quero viajar,
então crio jeito de ser feliz e ganhar uma grana.
Pelo menos correr o risco de ganhar uma grana.
As plantinhas bebês foram assim, uma inspiração.
Tenho as caixinhas de leite,
pois minha sogra bebe
muito leite;
Tinha as bebês que eu não sabia o quê fazer.
Então nasceu a idéia:
Bonsai de ipê amarelo!
Se der certo, posso vender.
Mas tê-las também não causará nenhum transtorno,
apenas beleza!
E estou feliz, como um lírio do campo.
Tão doido, acordo bem cedinho,
só para namorar os meus bebês.
E esta minha inspiração preenche
um pouco o vazio da vidinha da minha sogra.
Ela fica se divertindo com a minha
empolgação. Vida, sempre vida!
Isto é bom para qualquer pessoa e qualquer
ser vivente.
Sempre fico tão bobinha com as coisas,
qualquer coisa, que acaba inspirando os que estão
a minha volta.
Minha cunhada falou-me que passou a tratar
melhor a cachorrinha dela,
pois viu o quanto eu me entrego
quando cuido dos bichinhos,
que ela sentiu vontade de cuidar mais.
É que fui com ela o mês de janeiro ajudá-la a cuidar
do gato do irmão dela, pois ele viajou.
E eu sou assim mesmo, conversava até com o meu peixe.
Sei que você não acredita, mas ele falava comigo.
Ficava tão feliz quando eu chegava em casa.
As minhas crianças acreditam, pois elas presenciaram.
Mas não conto isto para ninguém, pensa que estou viajando.
Quando ele ficou velhinho, lutei com unhas e dentes para salvá-lo.
Corri feito louca, comprei de tudo, foi quando alguém perguntou-me
quantos anos ele tinha,
quando respondi a pessoa ficou espantada,
pois ele viveu quase o dobro
do que era para ele viver.
Nossa, me deu até um nó agora.
Meus olhos encheram de lágrimas,
já não posso mais escrever...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Passei em frente a minha antiga casa.

Que tem as portas bem altas; E ela está, triste, muito triste; Arrancaram até a varanda dela; Assim, sem mais e sem menos; Eu não a abandonei. Muito ao contrário. O proprietário exigiu que eu saísse; E depois a deixou lá: Só e sem carinho; Tudo que deixei lá, lá está; Após estes oito anos de solidão; Ela perdeu a varanda; Perdeu é eufemismo; E a porta está lá; Como sempre, tão majestosa; Ela se abre ao meio; Uma banda para lá e outra para cá; Acima, tem um vidro, feito um pedaço de janela. Partido em três vidraças; Ou seriam duas? Assim, com a visão da porta; Fui caminhando em direção ao meu destino; E buscando com os olhos e com o coração; Casas que ostentassem tal realeza; Nesta época, raridade; Mas persisti e segui avante; Heis que a vejo; Inesperadamente; Foi quase um choque; Lá estava ela; Agora estou até meio confusa; Melhor seria dizer, lá estava ele: O Rei da Rainha; Um azul A outra rosa; Mas da mesma realeza; Iguais; Entretanto, o rei teve mais sorte; Hoje é uma creche. Crianç...

Carta para o Futuro