quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aprendizado



nota: Acho que está na hora de eu voltar a ousar.
A vida não será capaz de recusar.

Aprendo até comigo mesmo.
Se é que posso chamar quem fui de eu.
Bom, isto já é filosofia,
o que importa é que aprendo sempre.
Quando a gente pára de aprender é porque morreu!
Estava divagando em meus sonhos.
Sempre tenho frio na barriga quando ouso sonhar.
Então busco coragem no meu âmago.
Foi quando lembrei uma ousadia minha.
Cismei, imagina, cismei em escrever para um jornal.
Jornal conceituado:
O escritório deles era só eu atravessar a avenida.
Lá estava eu, consciente que o máximo que poderia ouvir
era um sonoro NÃO!
E ouvi, bem sonoro, que respondi que voltaria até encontrar o sim.
Tantas vezes voltei, as mesmas que novamente ouvi o NÃO!
Incrivilmente eu insistia.
Havia uma energia dentro de mim que me motivava.
E tornei a tentar. Quando chego, sou informada pelo próprio autor dos nãos
que não seria possível atender-me,
pois estava saindo naquele exato momento em férias.
Respondo que falaria com quem o tivesse substituindo e fui
anunciar minha visita.
Sou atendida.
Um sim aguardava-me.
Que felicidade!
Quanta felicidade ao ler-me.
Um mês inteiro de leitura de mim.
Houve até chamada na primeira página
convidando o leitor para ler as minhas dicas de beleza.
Quanta felicidade, felicidade esta que expirou com as férias.
Foi tão bom enquanto durou.
Pensei em aguardar as próximas férias.
Mas, o anjo que me publicou, ganhou asas e voltou para o céu.
Desembarcou tão jovem, tão cheio de vida.
Junto levou um pedaço meu que queria ser escritora.
Não ousei mais desde de então.
Agora sei que está na hora.
Preciso ousar.
O tempo urgi!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Um voo estrelar


O Lucas, meu filhinho, está há dez dias na casa da minha cunhada.
Ontem nos encontramos, pois todos fomos para a mesmo local.
Foi tão bom. Estávamos com muita saudades um do outro.
Sentamos na namoradeira e ficamos conversando.
Ele narrava as aventuras no condomínio de onde está.
Contava da façanha dos meninos que soltam pipas.
Surgiu um papo gostoso, lembranças dele
de uma vez que tentei empinar uma pipa para ele,
que não consegui.
E o papo levou-me a minha infância.
Contei que não sabia empinar pipas porque os meninos faziam tudo para mim.
Como eles gostavam muito de mim, só restava eu mandar.
Como eu gostava de mandar.
Então inventei que queria uma pipa em formato de estrela.
Eles alegaram que não seria possível devido ao fato de ficar pesada demais.
Não pestanejei, disse para que fizessem as varetas bem fininhas.
Assim foi feito.
Orgulhosos deles mesmos, colocaram a estrela no ar.
Foi muita emoção para todos.
Entretanto, os outros meninos ao avistarem tanta beleza no ar,
cortaram a pipa estrela e a confiscaram.
Possuída por uma estranha energia,
pus-me a correr atrás do meu tesouro.
Corri como jamais voltei a correr qualquer outro dia de minha vida.
Corri muito e o perseguido não foi mais capaz de correr.
E passou a pipa para outro fugir.
Mantive o ritmo e a corrida.
Acho que ao longe pensavam que eu voava.
Já não me lembro mais, mas acredito que naquele momento
já estava voando mesmo com a minha vassoura invencível.
Novamente a pipa vai para outras mãos, que corriam de mim.
E, após exaustão do segundo corredor,
um terceiro renovou o fôlego da fuga.
Neste momento peguei ainda mais velocidade
e alcancei a estrela.
De volta, com a estrela nas mãos,
fui recebida por aplausos e admiração
dos engenheiros da minha pipa.
Foi um dia de glórias.
Tanto para aquela menina que sonhou e exigiu a realização,
como daqueles que não mediram esforços para concretizarem tanta ousadia.
Nesta conversa ainda tive tempo de lembrar o dia
que desejei ter a casa do Pernalonga,
esta é uma outra história,
que fez meu filhinho rir muito.
Fica para um outro dia.
Beijos amorosos!

P.S.: Acho que está na hora de eu voltar a ousar.
A vida não será capaz de recusar.

sábado, 13 de fevereiro de 2010


Saudações

Quando temos um corpo de dor assim tão intenso, possibilta grandes sofrimentos àqueles que se encontram em nosso campo energético. Esta premissa meio que justifica a filosofia de que o bom julgador julga os outros por si. Mais ainda, diz que é possível colocar o outro em nosso julgo. E revela a lei densa da existência.
Somos seres divinos, todos, mesmo os que escolheram ou foram escolhidos pelo lado sombra. Lembrando a dualidade. E a divindade merece reverências, que finaliza no início da majestade do próximo.
Assim é a sinceridade. Não podemos deixar a tal sinceridade inflar tanto o ego, pois este desconhece todo e qualquer limite. Senhor absoluto. O que causa grande confusão. Confusão esta que enreda em um mundo de sofrimento.
O mundo enclausurado liberta outros pequenos, porém densos, mundos. Rotular é mecanismo para catalogar e que coisifica os seres, a vida. Garantia de um universo ainda mais árido, onde a volatilidade de nossa existência jamais será exalada.
Dentro deste contexto todo diria você: "E daí? A nossa alma não existe mesmo."
Tudo bem. Sou obrigada, veja bem, a palavra não deixou-me espaço para contrariar sua máxima: Forçada a acatar sua verdade e lamentar. Não que lamúrias justifique, mas solidariza com o ego.
Indo além, é possível encontrar novas idéias, idéias estas que desnudam um antagonismo à sua própria fé. Idéias chamadas inspirações literárias.
Diante deste antagonismo, cesso minhas lamúrias e lanço meu desafio: Em frente de tão dura realidade, a não existência da alma e do tão complexo antagonismo, consciência deslocada: Seria eu capaz de inserir meu corpo de dor em redoma de vidro? Tal questionamento lançaria-me à outras questões: Para quê? Por quê? ...
Questões estas que delimitariam o projeto de mim. Alçando-me do empírico ao científico desvendar da minha existência.
Envolvida em viagem tão alucinante, a necessidade de expandir o corpo de dor ao mundo que rodeio seja assim domesticada.
Saudações!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010


Estive refletindo sobre a minha ansiedade.
O quanto desejei realizar as provas enquanto
a minha mão estava machucada.
Esforcei-me em demasia.
Pois quando a vida decide, deve ela ter sua lógica celestial.
Andei pensando também na máxima de abençoar
as pessoas que nos causam dissabores.
Ainda tenho certa resistência. Não tenho este amadurecimento.
Meu EGO ainda domina,
carrego a densidade existencial.
Entretanto busco estar atenta aos meus sentimentos.
Tento observar de fora o que acontece dentro do meu ser.
E encontrar uma saída deste tumulto emocional.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Este sapinho foi criado para ser o grande companheiro de minha filha.
O destino dele é o de ser um facilitador do caminho dela.
Ele foi concebido em uma fase meio tumultuada de minha vida.
Minha alma estava penada.
Meu coração confuso. A única certeza que tinha era do amor que sentia e sinto pelos meus filhos. Foi agarrada a esta idéia e com o forte desejo de reconstruir minha vida, sem esquecer do apoio total e incondicional de minha mana que iniciei este fantástico processo de conceber estes seres. Seres feitos de tecidos, linhas coloridas, preenchidos com algodão e animados com a eloquência comovente de meu coração.

Este sapinho acompanhou grandes momentos de minha filha.
Garantiu a entrada dela na faculdade.
A acompanhou nos piores momentos de sua jornada.
E a aplaudiu no ápice de sua conquista acadêmica.
Todavia, nem sempre ela teve esta consciência.
E o sapinho tão pouco se importou.
Ele jamais desejou honras, apenas esteve presente e assegurou
que tudo concorresse para o bem.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Coser emoção

Li outro dia a história de uma senhora que extravasava a raiva que sentia do marido fazendo bonecas de crochê.
Fiquei meditando sobre esta filosofia de vida. Na importância de transmutar a raiva em beleza. Então surgiu a questão do não saber fazer crochê e a alternativa de se fazer bonecas de panos.
Confesso, sempre fui muito apaixonada por bonecas de panos. 
Não saberei datar se esta paixão surgiu com Monteiro Lobato ou precede a este. 

Como colcha de retalhos, que é outra paixão que guardo no coração, fui emendando pensamentos e ideias pertinentes a esta alquimia de emoções. 
Foi quando lembrei-me da importância que concedo ao ato de coser. Existe magia no ato de costurar. 
Não basta apenas a ideia de conceber um trabalho manual. 
Só a fé de nada resolve, pois poderá o seu projeto jamais decolar. 
A ação, que por si só é incapaz de construir, necessita da existência da intenção.
Diante de tão complexa tarefa, deixe em cada ato uma expressão de sua alma.

Encha de desígnios cada laçada de sua agulha. 
Que seu trabalho ao final carregue uma grande energia de coração. Que seja não só a transformação do tecido e da linha em beleza, mas de todo o seu ser em evolução. 
Experimente costurar amor junto ao seu trabalho. 
Milagres serão expressos diante da sua criação.

O boneco acima foi confeccionado em um período que eu estava resgatando minha alma, meu poder pessoal. 
Um período de minha vida que guardo com muito amor em um canto privilegiado de meu coração.
Beijos!