quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Labuta

Hoje estou de folga, ainda bem, ontem o circo pegou fogo.
Será que sou assim tão pimenta?
Veja bem, minha versão:
Estava trabalhando, bem sabes que não estou feliz,
mas tudo bem, sempre arranjo um jeito de ser feliz.
Foi assim, gosto muito de pessoas, portanto é normal, ou pelo menos esperado,
que eu goste de atender aos clientes, melhor, fregueses.
E ontem tinha movimento. Assim, lá estava eu com o meu melhor sorriso
dizendo:
Bom dia, boa tarde, boa noite (fui alterando com o decorrer do dia).
Em que posso ajudá-lo(a)?
Quando havia mais de um freguês, olhava e dizia:
Já te atendo, com minha melhor e máxima simpatia,
pois era importante garantir a presença do mesmo.
Sentir-me-ia derrotada se eu perdesse um cliente.
Não aconteceu, uffa, garantia da minha felicidade,
sinto enorme satisfação em mimar os fregueses.
Fonte de energia positiva.
O movimento estava intenso e eu bem alimentada
com a energia que extraia de cada bom atendimento realizado.
Já reparou como o tempo vôa enquanto estamos realizados?
Portanto nem lembrei de tirar minha hora de folga.
Meu sub-gerente até perguntou-me sobre, mas falei que estava sem apetite
e que tiraria quando necessário.
E permaneci lá. feliz, fazendo meus atendimentos.
O sub-gerente estava sobre carregado com atividades burocráticas.
E trabalha com eficiência e dedicação, cumprindo sua parte.
Mas já notou que em contos de fadas sempre há bruxas do mal?
Porque bruxa do bem eu sou, então, faltou, melhor, nem faltou a bruxinha do mal.
A bruxinha do mal, justiça seja feita, estava lá no recanto sossegado da farmácia, fazendo sei lá o quê.
Então, quando eu falava duas vezes eu já te atendo,
a bruxinha aparecia e ajudava-me e voltava rapidamente para seu refúgio.
Permanecia novamente eu na frente do atendimento.
Feliz, mas quando o tempo estava quase no fim da labuta,
a bruxinha veio dizer-me que era para eu tirar minha hora de folga.
Respondi que havia muito movimento, que eu permaneceria ali.
Ela disse-me que não, pois ela iria sair mais cedo,
portanto eu tinha que tirar já a minha folga.
Disse que não, se fosse o caso, eu sairia mais cedo,
pois não largaria o balcão naquele momento.
Resumindo, ela disse-me que eu teria que ligar para o gerente para fazer isto.
Concordei e continuei.
Mas ela persistiu, ficou o tempo todo dizendo para eu ligar
e eu insistia que no momento oportuno faria isso.
Mas ela parecia surda, continuou atrás de mim dizendo que eu tinha que ligar.
No fim ela foi e disse-me:
Tudo bem, sairá apenas dez minutos antes.
Fiquei uma fera, e respondi no meio dos fregueses, que tudo bem,
mas que ela não sairia mais cedo, ficaria lá comigo.
Já que quer me prejudicar, será assim, ela também não sairia.
Não acostumada a receber nãos, correu e ligou para o gerente,
sei lá o quê a madama disse para ele e gritou-me:
O gerente quer falar contigo.
Atendi ao telefone:
Soltei os cachorros, oras bolas, estava ou não estava eu vendendo minha alma pela empresa?
Estava ou não estava eu fazendo o meu máximo e melhor?
Então porque a madama seria privilegiada?
Tudo bem, pode ter o privilégio que quiser, mas não em cima de moá,
mas não mesmo.
Sou muito boazinha, mas quando sou ruim, sou muito melhor.
Foi assim.
De novo!
Again