quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Praia Joaquina





Praia Joaquina

Era o ano de 1990, mês de janeiro, época de muito sol, praia, crianças pequenas, tudo de bom! Minha sogra havia recebido a visita de um padre amigo da família e me convidou para acompanhá-los nos passeios. Todo turista, naquela época, tinha que conhecer a praia da Joaquina, famosa pelo Surf. Hoje seria a praia Mole. Bom, fui com um maiô preto. Estava acompanhada pela minha sogra, minha cunhada, pela filhinha dela (2 anos), pelo meu filhinho (2 anos), pela minha filha (3 anos) e pelo padre, que não usa batina na praia, é claro.
As crianças gritavam o tempo todo: Mãeeeeeee!
Tudo bem, era o meu maior prazer, só que parecia que as três crianças eram minhas, tudo bem também, pois amo ser mãe. É a profissão que mais gosto, pois tem muitos desafios, e como tem desafios!
De repente percebo um rapaz acompanhando todos os meus passos. No que pensei: "Meu Deus, será que ele é maluco?"
..... "Só pode ser maluco...." pensava eu, meio desesperada......
O rapaz continuava me acompanhando, não só com os olhos, aonde ia ele ia atrás. "Só pode ser maluco..." continuava eu pensando.Então, ele analisou bem o grupo que me acompanhava, deve ter imaginado, à princípio que o padre era meu marido, que as crianças eram todas minhas, sei lá, mas depois de muito olhar, respirou fundo e caminhou em nossa direção. Enquanto ele vinha eu me deseperava: " louco de pedra, Joaquina, praia de lindas mulheres, só tem modelos, por que logo eu?"
Quando ele alcançou nossa mesa disse: Posso sentar-me ao SEU LADO?
Respondi tão seca quanto grossa: Pode mas sou casada e estiquei a mão esquerda para exibir a aliança, a qual hoje só por pirraça não uso mais.
O rapaz, hoje um herói para mim, com toda sua coragem, engoliu seco e disse: " percebi que você tem muita preocupação com seus filhos e pensei em ajudá-la para que possa aproveitar melhor a praia."
Com um tom mais suave, respondi: " Tudo bem, faça como quiser"
O rapaz saíu e ficou cuidando das crianças, o tempo todo. Nisso o padre falou comigo: "
"Elisa, as pessoas precisam de elogios, isso é muito importante para a alma, você errou. Devia ter deixado o rapaz massagear seu ego, ele teria dito que você é maravilhosa, encantadora, muito linda e etc. Você ouviria tudo e gentilmente agradeceria e só então informaria que é casada."
Sempre lembro desse episódio, pois eu só poderia estar precisando daquela massagem.
Perdi a massagem no ego, mais ganhei a lição. Por que é tão difícil aceitar elogios?
Vezes sou minha pior inimiga. Vamos fazer um pacto?
"Só hoje serei gentil comigo!"

Hoje já sei aceitar elogios e aos quarenta e dois anos não posso me dar ao luxo de recusá-los!
E nem quero, é tão bom receber elogios!

2 comentários:

Thaís V. Manfrini disse...

Suspeito que você sempre vá merecer os melhores elogios, Elisa. É no mínimo das pessoas mais íntegras que já vi nessa vida.

Élis Bruxa disse...

Thaís, você me emociona!
Amo-te!