segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A viagem de bicicleta da minha filha, uma aventura boa


Aventura boa mesmo. E eu fico muito feliz, pois ela carrega dentro dela muito da Elisa adolescente, a Elisa corajosa e cheia de auto-estima que fui. 
Nunca viajei assim, mesmo porque, eu nem sabia que existia isso: viajar de bicicleta.
Se eu soubesse, teria feito. Ou, se ao menos eu tivesse desenvolvido isso na imaginação. 
Não viajei, viajei, mas que eu seguidamente percorria a estrada Rio-São Paulo de uma cidade para outra, ah, isso eu fazia  e como fazia. 
Carrego histórias, deste tempo, de sobrevivência mesmo. 
Pois a Elisa adolescente também era muito, mas muito distraída mesmo. 
Fazia viagens com a  imaginação.
Foi assim que fui salva, em uma curva da Presidente Dutra, não uma curva qualquer, mas a curva, daquelas bem bonitas, redondas, que desperta a criatividade, pois nunca se sabe o que há após aquela imensa volta. 
Estava retornando para casa, eu morava em uma entrada desta rodovia; 
Meu pai amorosamente sempre me pedia para voltar pelo morro, contornando a Dutra; mas eu, tão jovem, tão cheia de mim mesma, acreditava ser tudo possível.
O dia estava tão lindo, e o Sol estava fazendo um verdadeiro espetáculo se pondo na Mata Atlântica. 
E eu estava tão feliz, então coloquei os cabelos para cima e segurei com a mão e continuei pedalando, mas agora minha atenção estava toda naquele belíssimo por do sol.
Guiando a bicicleta com apenas uma mão e olhando para o céu, inevitavelmente direcionei-me para o meio da pista. 
Eu estava exatamente naquele ponto da curva que os outros motoristas não podem ver o que há à frente deles. Um motoqueiro passou em alta velocidade, buzinando e apontando para trás, havia muito desespero em seus gestos; olhei para trás e foi a conta de jogar-me no acostamento. Apenas ouvia, zumpiiii, zumpiiiiiii, zumpiiiiii; Nossa foi por um triz. Eu iria partir desse mundo muito feliz, mas nunca as pessoas saberiam disso e deixaria uma imensa dor. 
Tenho certeza que se houvesse como aquele motoqueiro retornar, voltaria e me daria uma grande bronca; mas nem era preciso, aprendi a lição. 

E, em troca, sempre cuidei em fazer a minha vida valer, pois assim estou retribuindo o grande favor de ter sido salva. 

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