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Um roubo desproposital

Fui ao RU (restaurante universitário) almoçar. A sobremesa era frutas, como tem gente que não as pega, peguei para mim. Resolvi guardar na bolsa. Assim fiz, bem naturalmente, pois é de fato bem normal tal procedimento. Foi feito bem naturalmente, fico até imaginando a cena. Depois que a gente termina o almoço, temos que levar a bandeja e os talheres para lavarem. Antes a gente joga fora os restos no lixo. Então percebi que meus talheres estavam faltando. Pensei: Minha amiga pegou para levar para mim, pois estou com a mão machucada. Olho e vejo que o volume de talheres que ela entregou era pequeno para o meu estar junto. Preocupo-me: "Será que joguei fora junto com o resto do arroz?" Não, claro que não, havia tão pouco arroz ali, não, não...Fico intrigada com o desaparecimento dos talheres. A colher eu entreguei, mas aonde foi parar o garfo e a faca? Será que caíram no chão? Não, não.... Então resolvi perguntar para minha amiga: "Você sabe onde estão os meus talheres?" E ela responde: "Sim, você os colocou na bolsa."
AHA?!! Como assim?
"Você colocou em sua bolsa."
Nossa, fiquei vermelha, meu rosto parecia que havia uma fogueira acessa de tanto que queimava. Eu queria tirar os talheres de dentro de minha bolsa e não conseguia. Céus! Pedi para minha amiga ir à um canto mais discreto, extrai os ditos de minha bolsa e os entreguei no devido lugar. Minha amiga não parava de rir e eu junto. Ela contou que quando eu coloquei os talheres na bolsa, um rapaz viu, arregalou os olhos, não estava acreditando na cena, olhou de novo e eu lá bem natural, "roubando" os talheres. Fiquei dois dias rindo sozinha. Fico imaginando a cena, eu tão normal, sem nenhum sinal de constrangimento, roubando como se o fizesse diariamente, assim como escovar os dentes, como quem faz algo corriqueiro. Minha amiga estranhou, mas como agi tão natural, pensou tratar-se de algo essencial, quase vital. Enfim, foi uma cena engraçada, digna destes pastelões da sessão da tarde.



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